Sopa aquece noite fria de moradores de rua

Foto: Aldo V. SilvaFoto: Aldo V. Silva

Sopa quentinha, com carnes e legumes, bem temperada, e o melhor: com sabor de caldo feito pela mãe. É isso que um grupo de amigas distribui, há cerca de 40 dias, nas noites frias de Sorocaba. De três a quatro vezes por semana, oito amigas e seus filhos saem às ruas do Centro para amenizar o frio e a fome de pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social.


A empresária Cláudia Bisordi de Aragão, de 30 anos, conta que a ideia surgiu em um grupo do aplicativo de mensagens Whatsapp, que reúne várias amigas que têm filhos. Em uma noite — que já anunciava os dias frios que viriam — se perguntaram “Como estão as pessoas que vivem na rua?”. Assim, na casa da própria Cláudia passaram a fazer as sopas. “Hoje a gente atende mais de 100 pessoas”, afirma.

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/707450/sopa-aquece-noite-fria-de-moradores-de-rua#

À tarde, elas começam o preparo em grupo, depois todos jantam a sopa que será servida e, no início da noite, começa a distribuição. Cláudia lembra que na primeira entrega não levaram os filhos, pois ainda tinham receio sobre a receptividade dos assistidos. A gratidão demonstrada dissipou os medos e, hoje, as crianças participam ativamente, ajudando na distribuição dos alimentos e outros donativos, como cobertores e agasalhos. “É muito bom para eles. Percebemos que alguns nem sabiam que existiam essas pessoas. Nós mesmas não tínhamos ideia de que tinha tantos moradores de rua em Sorocaba”, disse.

As amigas começam a distribuição em uma agência bancária ao lado da praça Coronel Fernando Prestes, local onde dezenas de pessoas em situação de rua ficam abrigadas. Bráz Paulino, de 54 anos, conta que devido a concentração, o ponto é um dos que mais recebem a ação de entidades. “Aqui é todo dia. Eles já sabem que ficamos aqui. Até uma hora da manhã tem comida”, revela. O homem, que diz depender desse tipo de donativo para se alimentar, ressalta que não tem vício algum e lamenta aqueles que, sob efeito de álcool e drogas, acabam arrumando brigas e afugentando as pessoas que doam refeições. “Onde é que nós vamos comer, se não for eles?”, questiona. Nas ruas há 15 anos e em Sorocaba há sete anos, Bráz conta que morava na Capital, mas se afastou dos irmãos com a morte dos pais. “Aqui está bom, é o único lugar que dá comida”, avalia.

O casal Elza Brizola Franzine, 72 anos, e João de Souza, 61 anos, mora em uma casa na Vila Santana, mas vai ao Centro em busca de alimento. O sustento, apenas com a aposentadoria de Elza, estaria difícil. “A situação é precária”, lamentou o homem. Ele conta que costumava fazer bicos como pedreiro, mas está com uma lesão no ombro. Apesar das dificuldades, os dois mantêm a cumplicidade, e a senhora fazia questão de ajeitar os agasalhos do companheiro, protegendo-o do frio.

Após alimentar o grupo, as amigas colocaram as caixas térmicas de volta no carro e se preparam para percorrer as ruas do Centro, distribuindo mais sopas aos que encontrassem no caminho. Elas planejavam ainda passar pela avenida Itavuvu, na zona norte da cidade. O grupo oferece também garrafas de água — um dos itens mais pedidos pelos assistidos –, bolo, cobertores e agasalhos. Quem quiser ajudar com alimentos, donativos ou dinheiro pode entrar em contato pelo número (15) 97403-6461 ou pelo Facebook Amizadaria Solidária.

Guia Chef
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